Canção
O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo da solidão,
sob o fardo da insatisfação
o peso
o peso que carregamos
é o amor.
Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca o corpo,
em pensamentos
constrói
um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano -
sai para fora do coração
ardendo de pureza -
pois o fardo da vida
é o amor,
mas nós carregamos o peso
cansados e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente temos que descansar
nos braços do amor.
Nenhum descanso
sem amor, nenhum sono
sem sonhos
de amor -
quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos
ou por máquinas,
o último desejo é o amor -
não pode ser amargo
não pode ser negado
não pode ser contigo quando negado:
o peso é demasiado
- deve dar-se
sem nada de volta
assim como o pensamento
é dado
na solidão
em toda a excelência
do seu excesso.
Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho -
sim, sim,
é isso que
eu queria,
eu sempre quis,
eu sempre quis
voltar
ao corpo
em que nasci.
Allen Ginsberg (1926-1997)
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
A Noite
Cena do filmaço A Noite (1961), de Michelangelo Antonioni. A obra faz parte da chamada "Trilogia da Incomunicabilidade" idealizada pelo diretor, e traz Jeanne Moreau e Marcello Mastroiani vivendo uma crise existencial no casamento.
Esta cena se passa numa boate de jazz, com uma linda dançarina fazendo uma performance sensacional, em meio a crise do casal.
Esta cena se passa numa boate de jazz, com uma linda dançarina fazendo uma performance sensacional, em meio a crise do casal.
sábado, 7 de novembro de 2009
Brave New World
Cosedor de músicas
O talentoso multiinstrumentista e produtor israelense Kutiman revoluciona e arrebenta em Thru-you, projeto que utiliza como matéria-prima musical videos de usuários do youtube. De aulas instrumentais a perfomances artísticas individuais de todos os tipos, Kutiman fez uma verdadeira colagem de aúdio e video para criar um álbum criativo, diversificado, com muito groove e melodias certeiras. Babylon Band é uma de suas faixas mais explosivas e fenomenais.
http://www.myspace.com/kutiman
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
O Código Tarantino
Selton Mello e Seu Jorge filosofam em um bar sobre a obra de Quentin Tarantino. Com diálogos hilários, os dois discutem uma possível ligação entre os roteiros e filmes do diretor. Tarantino´s Mind (2006). Curta metragem. Direção: 300 ml.
Arte nipônica
Chove Chuva
Versão maravilhosa da grande cantora sul-africana Miriam Makeba para esse clássico de Jorge Ben. Nascida em 1932 na capital Joanesburgo, ficou mundialmente famosa com o sucesso de sua canção Pata Pata. Ativista dos direitos humanos por toda sua vida, "Mama África", como também é conhecida, morreu em novembro de 2008, após sofrer um ataque cardíaco em pleno palco. O show era em apoio ao escritor italiano Roberto Saviano, autor de "Camorra", livro polêmico que revela as entranhas da máfia napolitana, e que desde então o jurou de morte.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
poetagens
Descobrir-te
saber quem tu és
depois de tanto crer
e através,
dos olhos da alma
enxergar-te
sem precisar ver.
Apenas te sentir
como sentimos a presença de encostos,
anjos e demônios
Que teu espírito me possua
e tua ausência se materialize
em meus sonhos
Para em tua essência te encontrar
e depois,
me exorcisar.
Num quarto escuro como a noite
com nosso corpo deitado em cruz
Numa cama branca, etérea, lunar
quente e abençoada com nossa luz
saber quem tu és
depois de tanto crer
e através,
dos olhos da alma
enxergar-te
sem precisar ver.
Apenas te sentir
como sentimos a presença de encostos,
anjos e demônios
Que teu espírito me possua
e tua ausência se materialize
em meus sonhos
Para em tua essência te encontrar
e depois,
me exorcisar.
Num quarto escuro como a noite
com nosso corpo deitado em cruz
Numa cama branca, etérea, lunar
quente e abençoada com nossa luz
poetagens
O que é um homem senão uma besta?
sedenta e faminta
por amor e carinho
domando seu instinto brutal
com poesia e vinho
enjaulado numa cela carnal
sim, somos todos animais
fingindo sermos domesticados
mas a razão nos deixa irracionais
é a paixão que nos torna humanizados

sedenta e faminta
por amor e carinho
domando seu instinto brutal
com poesia e vinho
enjaulado numa cela carnal
sim, somos todos animais
fingindo sermos domesticados
mas a razão nos deixa irracionais
é a paixão que nos torna humanizados

microcrônica
Vivia com o lixo. Não propriamente nele. Mas dele. Revirava, separava, recolhia. E alimentava o caminhão, sua esposa e filhos. Sua razão limitada ainda não constatara, mas o inconsciente não falha.
Lá no fundo pensava, que no fundo no fundo, alimento e excremento eram mais próximos do que imaginavam...
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Lá no fundo pensava, que no fundo no fundo, alimento e excremento eram mais próximos do que imaginavam...
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poetagens
Distraídos Venceremos
O primeiro post deste singelo e recém-nascido diário público é uma homenagem ao grande poeta curitibano Paulo Leminski. O poema foi retirado de seu livro Distraídos Venceremos, influência direta e indireta ao nome e conceito deste blog. Postarei muitos outros e em breve o disponibilizarei para download.
PROEMA
Não há verso,
tudo é prosa,
passos de luz
num espelho,
verso, ilusão
de ótica,
verde,
o sinal vermelho.
tudo é prosa,
passos de luz
num espelho,
verso, ilusão
de ótica,
verde,
o sinal vermelho.
Coisa
feita de brisa,
de mágoa
e de calmaria,
dentro
de um tal poema,
qual poesia
pousaria?
Eu, hoje, acordei mais cedo
e, azul, tive uma idéia clara.
Só existe um segredo.
Tudo está na cara.
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